A minha mãe tem graves problemas, mas recusa tratar-se. Ela teve uma vida muito complicada e creio que não consegue distinguir o real do imaginário. Por exemplo, ela acredita que, quando está fora de casa, um homem entra lá e mexe nos seus objectos. Para além disso, não acende luzes e não vê televisão, porque acredita que assim alguém poderá observá-la. Esta situação cria graves problemas de sociabilidade e um grande sofrimento para ela e para nós, familiares. Como posso convencê-la de que tem um problema e que um especialista a irá ajudar?
A sua mãe parece sofrer de uma perturbação psiquiátrica, do grupo das perturbações delirantes tardias. Estas causam grande sofrimento para a própria e familiares, como refere. Deve consultar urgentemente um psiquiatra. O próprio delírio de temática persecutória e de prejuízo não a leva a aceitar que seja doença. Tente levá-la a considerar que se encontra muito «preocupado» com o sofrimento dela e que a vê «nervosa», pelo que ficaria mais descansado se fosse a um médico «dos nervos», que ela fizesse isso «por si» e que «se tudo é como ela diz» o próprio especialista consideraria que não precisaria de tomar nada. Alguma medicação tranquilizante é, simultaneamente, também usada para os delírios (erros do pensamento). No extremo pode obrigá-la a uma consulta compulsiva, ordenada por juiz, após informação do delegado de saúde, ao abrigo da Lei de Saúde Mental. Para saber mais sobre a legislação relativa à saúde mental aceda ao site www.dgpj.mj.pt e digite no campo de procura «Lei de saúde mental».
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